• Felipe Hosken

Entrevista: Abreu (3Craps / Desconjuntados)


Abreu é uma figura carimbada no cenário independente nacional. Amante dos 3 acordes e grande botafoguense, ele já liderou os Teen Lovers e o Impatients e fez parte d'Os Pedrero por muitos anos. Nessa entrevista, ele fala sobre fim e saída de bandas e também sobre suas novas bandas, o 3Craps e o Desconjuntados. Confira o bate papo.



1. Fala, Abreu. Da última vez que entrevistei você foi à época do lançamento do primeiro disco do Impatients. Sou grande fã daquele disco e do EP que foi lançado depois. Mas depois disso nunca mais tive notícias da banda. O que aconteceu?

Impatients

Fala, Tony! Bicho, pois é...algo aí próximo dos 4 anos, 4 anos e pouco, né? Cara, então...coisa de capixabas enrolados por natureza. A banda sempre teve o propósito de ser um passatempo e tal, mas aí começou a ficar cada vez menos “tempo” para a banda. Era um parto conciliar horários (seja por trabalho ou milhões de bandas da galera), nada fazíamos para correr atrás de shows e tal, trocamos de batera umas 2 ou 3x...aí acabou que brochou de vez. Na verdade, eu brochei naquele momento, pois estava sempre empolgado pra mostrar as músicas que tinha e tal...e nunca fluía! Aí, naturalmente, sem que sequer conversássemos, fomos deixando passar os dias...e deu no que deu. Ainda nos falamos...eu mesmo gostaria muito de voltar a banda...desde que, com ensaios semanais sagrados, correria pra tocar e tal. Mas não sei se os demais estariam nessa mesma vibe.


2. Mais ou menos nessa mesma época você também saiu d'Os Pedrero. O que te levou a tomar a decisão?

Foi mesmo. Então, bicho...no Impatients eu me sentia mais útil, sei lá, criativo. Era o som que eu queria fazer. Quando mandava os rascunhos das músicas pros caras, eu já tinha todos os solos, teminhas, backings na cabeça (é claro que depois, cada um sempre colocava coisas novas). Nos Pedrero era uma onda. Era mais prazer de estar com os caras, rir, se divertir, falar merda, relembrar merdas de mais de uma década juntos...só que isso foi se perdendo. Os ensaios eram tediosos, parecia que estávamos cumprindo tabela, saca? Falo por mim também. Para evitar que o desgaste chegasse ao ponto de até mesmo acontecer briguinhas bobas, eu quis sair e deixar os caras tranquilos para seguir a vida. Tanto que depois fizeram o disco, que aliás, achei legal e tem uma música que fiz na época dos ensaios também (apesar de pequenas mudanças que fizeram na letra depois). Mas enfim, a essência de diversão da banda não me cativava mais na época. Prefiro um fim do que ficar levando em banho maria.


3. Agora, chega de passado. Você acabou de lançar a demo da sua banda nova, o 3Craps. Fala um pouco mais da banda: ela surgiu agora ou já existia e quem tá tocando com você.

3Craps

Foi, cara. Uma demo ao vivo, com erros, desafinadas e tudo mais. Como “manda” o velho punk rock feito por 3 caras com seríssimas limitações técnicas! Hehehe! Então, apesar de pausa total em bandas (físicas), eu continuava fazendo músicas e gravando toscamente no meu celular, mas sentindo falta de rir com amigos em ensaios. Foi quando o Cícero (Guitarria e que tocou comigo na 2ª fase do Teen Lovers) e o Tibil (ex-Guitarria) me ligaram para ensaiar punk rock 3 notas, simples, sem solos. Fizemos 1 único ensaio com o Tibil, que por conta de trampo e tal não conseguiu seguir. Só que o Vampirão e eu ficamos empolgados e aí ele chamou o Vinicius, que é um muleque bem mais novo que a gente e eu passei a conhecer justamente no ensaio. Casou. Ensaiamos rindo a beça, nos divertimos, conseguimos manter frequência de encontros, fizemos adesivos, camisas, bonés, estamos correndo atrás de shows...enfim, apesar da idade e pouco tempo, me deu um gás que estava sentindo falta, saca?


4. Parabéns pela demo. Tá bem legal mesmo. Mas de cara, o que me chamou mais atenção foi o fato da maioria das músicas serem em inglês. São suas primeiras músicas em inglês desde o Teen Lovers?

Capa da demo. Disponível nas plataformas digitais.

Verdade. Um inglês macarrônico, diga-se de passagem. Mas mesmo com erros crassos da língua, inegavelmente o inglês é muito mais melódico. Particularmente, gosto mais. Principalmente quando o som é muito simples, reto, para não ficar muito aquele punk quadradão com melodia vocal igual da guita, naturalmente optei pelo inglês. Mas não é uma regra, saca? Tanto que uma das músicas gravadas é em português.


5. Você também tem uma banda virtual, à distância, o Desconjuntados. Quem tá nessa com você. Sei que vocês soltaram um EP de 3 músicas em 2018 e participaram do tributo ao Carbona. Tem algo mais engatilhado?

Isso. Foi logo que o Impatients se “matou”. Como eu não conhecia – por aqui – nenhum batera de punk rock bem bubblegum mesmo e também já tinha me irritado bastante com bandas que perderam tesão, na hora liguei pro meu amigo Oscar (ex-Calibre 12, Drákula) que estava de mudança de SP para PB e perguntei se ele queria brincar comigo de, de vez em quando gravarmos uns sons estilo Screeching Weasel, Queers e afins. O Boizão é empolgadíssimo e desde o primeiro contato já pediu para eu enviar os sons que ele gravaria. E assim foi com as 3 primeiras músicas e o cover do Carbona. Agora estamos com 5 músicas para finalizar. Com a distância é foda, porque eu mando ideias sem que ele nunca tenha escutado antes. Ele grava no feeling e me devolve. Aí eu regravo sobre o que ele fez! É um parto, mas a empolgação que temos vale a pena. Esses 5 sons já tem a batera pronta. Agora quando acabar esse momento do COVID-19, eu vou gravar as cordas e vozes para depois jogar na net.


6. Como anda a famigerada "cena" no ES. Ainda tem banda surgindo e lugares para tocar. Tudo está parado agora, mas andava rolando shows por aí?

Tony, vou ser sincero...quando perdi o tesão com o Impatients e Pedreros, nem tive mais vontade de ir em shows. Nem mesmo de amigos e/ou algumas bandas de fora que passaram por aqui. Estou reencontrando essa alegria agora com o 3Craps. Por isso, realmente nem consigo dizer mesmo com estão as coisas aqui. Sei de 1 ou outro pico de shows, mas nada além disso. Às vezes fico malzão, pois lembro que 20 anos atrás, toda sexta e sábado eram para encontrar a galera, encher a cara e fazer merda nos shows, independente de quais fossem...desde que, em ambientes imundos e repletos de gente feia! Isso não tinha preço! rs


7. Em "Bubblegum" do Desconjuntados você cita trocentas bandas que te influenciaram ou que fizeram parte da sua vida. Tem alguma banda nova para indicar pra gente?

Total! As brasileiras citadas são, na maioria, de amigos de longa data que o rock me deu. E olha, que mesmo nem sendo bubblegum, cito uns meninos que sou amigo, amo desde sempre e que lembro o tapa que levei quando trocava demos e uma chegou na minha casa. Lembra de um tal Invisibles? Hehehe! Mas enfim, cara....são todas bandas que gosto pra caralho. Já banda nova...cara, prefiro citar bandas que tenho escutado muito e pirado demais. Na gringa, eu amo demais o K7s, Masked Intruder, DeeCracks... já aqui, porra, como eu demorei tanto para conhecer o Meu Funeral? Bicho...o ep deles é sensacional! Ouço todo dia. Ah, e porque o meu filho ama (e eu também, é claro), todo dia também é dia de Rangones aqui em casa. rs


8. Cara, valeu pelo seu tempo, e obrigado por continuar fazendo música! Quer deixar algum recado final?

Meu irmão, eu que agradeço a amizade de tantos anos, as palavras, o nosso contato frequente e mais esse projeto que você e o homem mais lindo do mundo (Rubinho) estão colocando pra andar! Precisamos disso sempre! No mais, é isso. Quando alguém quiser trocar papo ou contar histórias, podem me mandar e-mail (federmanrodrigo@gmail.com) e vida que segue! Saudações botafoguenses!!!

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