• Felipe Hosken

Entrevista: Marco Homobono (Djangos)


Marco Homobono é uma figura importante e muito atuante da cena underground desde os anos 1990. Homobono sempre esteve à frente dos Djangos (antigo Kamundjangos e Los Djangos), clássica banda carioca que mistura ska, punk rock e reggae, mas também já se aventurou em um disco solo e diversos outros projetos com diferentes sonoridades. Conversamos com ele sobre seus novos lançamentos, processo de composição e outras coisas. Confira!


1. O primeiro post deste site foi falando sobre um trecho de uma nova música dos Djangos. Então, em que pé anda o disco? Alguma previsão de lançamento? Já dá pra adiantar alguma coisa?


Estamos no mês de maio e estamos em meio a uma pandemia, uma coisa que nunca havíamos vivido. Antes do covid, estávamos ensaiando músicas novas, num estúdio. Gravamos o ensaio e eu editei várias faixas aqui no meu estúdio, Sarapa Babylon. A tecnologia possibilitou que uma pré-produção imaginativa fosse feita e isso desse asas à imaginação musical, pois gravei vários overdubs de guitarra, backings, frases de metais e possíveis arranjos de órgão hammond, por exemplo. Recentemente, o Jj Aquino deu a ideia de gravarmos um vídeo com cada um em sua casa, gravando no seu respectivamente no celular mesmo. E assim, ele e o Lyle, baixista da banda, mandaram seus arquivos sonoros e eu mixei aqui em casa. Minha mixagem é bem artística, pois sou limitado tecnicamente, mas me deu um tesão danado ver que as músicas tinham muito potencial, até aquelas que pareciam meio inviáveis. A ideia para depois da quarentena é a gente retomar os trabalhos e os ensaios para produzirmos mais músicas e aí escolher as que vão integrar nosso próximo lançamento. Mas não temos data nem nada certo.

2. Você tem outros diversos projetos/bandas além dos Djangos. Como eles estão? Por exemplo, nos últimos anos você lançou umas músicas com o Fábio Brasil, baterista dos Detonautas, sob o nome de Mento y la Gente e um EP que levava o seu nome. Pretende lançar mais material desses projetos?

Já estou com algumas músicas novas do Homobono. Queria lançar esse ano, mas a pandemia vai acabar adiando isso para um prazo desconhecido ainda. Hoje, dia 2 de maio, recebi uma gravação do Fabio Brasil com uma música que havia feito na casa dele com o Antiartista. Pode ser uma nova música desse projeto Mento Y La Gente ou de um novo. Tenho faixas no disco de estreia do JPA Heroes, do Wlamir Rocha e DJ Mohamed Malok que vai sair esse ano e recentemente o Panço lançou uma música que fizemos juntos em seu disco mais novo. Fiz música com o Fred Dutra, da banda Setembro, que eu conheci por causa do Mobília Music.

Estou sempre aberto a parcerias, muito mais do que estava antigamente. A troca é muito legal. 3. Você cedeu duas excelentes músicas para o EP de estreia do Melvin & Os Inoxidáveis. As músicas eram sobras porque não cabiam em nenhum projeto ou foram feitas para ele? Como funciona seu processo de composição? Há uma divisão do tipo, vou compor para o Djangos, para um disco solo ou para qualquer projeto.


Cara, isso é uma bagunça na minha cabeça. Mas, geralmente, das coisas que faço, algo que não tenha sido iniciado em um ensaio da banda, o que é reggae e ska tá mais linkado ao DJangos e o que é mais piegas, mais eletrônico e com um viés de repente cômico ou pessoal demais eu destino para o meu trabalho solo. Tenho feito isso, mas às vezes as coisas embolam e as pessoas perguntam se a música que eu mandei para elas é do Homobono ou dos Djangos. Isso me soa muito confuso, porque para mim, é tão claro, mas a pessoa me

põe a prova a respeito dessa minha organização. Acaba sendo algo meio instigante. Quanto às canções que fiz e que foram gravadas pelo Melvin, eram músicas que estavam ali no meu rol de novas composições e quando ele pediu, mandei várias. Ele acabou ficando com o filé mignon. Fiquei muito feliz. O Melvin é um cara muito querido e admirado e veio me pedir músicas para o primeiro disco solo dele. Acho que tirei maior onda.

4. Você deixou escapar uma vez que o 90under (grupo do Facebook idealizado pelo Vital que já lançou compactos do Pinheads e do Dash) poderia lançar um vinil 7 polegadas do Djangos. Qual seria o material?

Isso seria apenas um projeto ou um desejo do Vital Cavalcante, que é o chefe do 90under. Não sei se seria viável. Os Kamundjangos têm um grupo de pessoas que têm muito carinho com a nossa música e a nossa história. De repente, essas pessoas são em número suficiente e se dispõem a participar de uma campanha de crowdfunding para viabilizar produtos como um compacto em vinil com algo que lançamos na década de 90. É bem incerto ainda.

5. Você já está nessa há uns bons anos. O que ainda te motiva a continuar tocando e produzindo?

Desde os treze anos vivo uma paixão quase que doentia com a música que eu mesmo faço. O que sempre me motivou foi o imenso prazer que tenho de criar. Antes eu fazia as letras e me trancava no quarto para fazer canções em tardes de um loop frenético em cima de uma composição, que me fazia perder a fome e me impedia às vezes até de ir ao banheiro.

Com as possibilidades do homestudio de hoje, essa compulsão migrou para a produção e arranjo. Passei a montar beats, a tentar ser um bom baterista usando os dedos para tocar uma controladora midi, fiz arranjos de metais, abria vozes do trombone com o sax e o trompete. Simulava cordas. Isso passou a me mesmerizar ainda mais. Eu perco as horas quando estou fazendo uma música. Financeiramente, tenho sido mais feliz com a música mais recentemente do que na época em que tinha gravadora. Acho que isso gerou muitas frustrações. Hoje, eu tenho a consciência de que a música é uma fonte de imensas felicidades. Sou uma pessoa muito feliz por causa da música. Mas também confio que posso viver de minhas criações, como as camisas que lanço (tenho uma grife) ou as músicas e os shows que faço. Confio que isso pode gerar uma renda para que eu possa pagar algumas de minhas despesas, ou todas ou até poder investir pesado na minha música e gerar oportunidades para outras pessoas. Como vou fazer isso? Não sei. Estou descobrindo ainda.


6. Vi o Djangos na Audio Rebel, no Rio de Janeiro, tocando o Raiva Contra Oba Oba na íntegra e foi incrível. Ainda pretendem continuar com essa ideia após o fim da pandemia. Quais os próximos planos?

Aquele show dos Djangos na Audio Rebel foi um grande momento em nossas carreiras. Foi algo mágico realmente. Ainda bem que você estava lá para testemunhar a nosso favor. Sim. É nossa ideia sim prosseguir, fazer música, gravar vídeos, gerar conteúdo para nossos respectivos canais, ter uma agenda de shows, fazer produções bacanas e prazerosas e lançar tudo isso fisicamente (em vinil, cd ou dvd).


7. Homobono, muito obrigado pelo seu tempo e paciência. O espaço é seu para deixar seu recado. Valeu!

Eu que agradeço. Os Djangos sempre foram muito bem recebidos pela imprensa. Eu considero que a imprensa nos anos 90 abrangia os zines de todo o Brasil que sempre deram uma tremenda força para a minha banda. Sou muito grato pela atenção que sempre nos deram. Hoje, ainda confio na capacidade de comover as pessoas que estão com seus sites, blogs, canais do youtube para nos ajudar a divulgar meu trabalho, tanto nos DJangos como no Homobono. Então, mais uma vez, sou imensamente grato a você, Felipe, do Outras Frequências, que bolou essas perguntas assim como você que leu essa matéria. Um grande abraço a todos.

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